O mundo está muito cheio e precisa de um reset

Recentemente li um artigo do Instituto Mises Brasil sobre pobreza global, crescimento populacional e escassez de recursos. O texto questionava uma crença bastante popular: a ideia de que o aumento da população levará inevitavelmente à miséria, à destruição ambiental e ao colapso da humanidade.

Há décadas anunciam que estamos prestes a ficar sem alimentos, espaço, energia ou algum recurso essencial. O prazo muda. A catástrofe também. A confiança dos profetas permanece intacta. Bom, eu sobrevivi a 2012. Tenho moral pra falar.

O erro está em tratar seres humanos apenas como bocas que consomem. Cada pessoa também trabalha, inventa, produz, descobre e resolve problemas. Uma população maior não representa somente mais demanda, mas inteligência disponível para responder a essa demanda.

A redução da pobreza global nas últimas décadas demonstra que crescimento populacional e empobrecimento não caminham obrigatoriamente juntos. Ao mesmo tempo em que a população aumentou, milhões de pessoas passaram a ter acesso a alimentos, medicamentos, tecnologia e condições de vida que antes pertenciam apenas aos muito ricos.

Isso dificilmente combina com a narrativa de uma humanidade condenada a consumir tudo ao redor até morrer sobre a própria montanha de lixo e embalagens abertas.

O problema da tese da superpopulação também aparece quando se confunde falta de espaço com concentração urbana. O planeta possui vastas áreas pouco ocupadas. Abre o Google Maps aí e veja por si mesmo. É muito lugar sem gente. Pessoas se acumulam em determinadas cidades porque ali existem empregos, infraestrutura e oportunidades, não porque cada centímetro habitável já tenha sido preenchido em outros lugares.

É claro que cidades superlotadas podem enfrentar trânsito, poluição, moradia precária e serviços públicos ruins. Isso revela falhas de planejamento, pobreza institucional e concentração econômica. Culpar simplesmente a quantidade de pessoas é uma explicação confortável, sobretudo para governos incompetentes.

Também não existe razão para imaginar que os recursos permanecem estáticos enquanto a população cresce. Tecnologia altera a forma como produzimos, transportamos e reutilizamos tudo. Aquilo que ontem era caro, raro ou inacessível pode tornar-se abundante quando surgem novos métodos de exploração e substituição.

A humanidade nunca sobreviveu porque encontrou recursos infinitos, mas porque aprendeu a utilizá-los melhor.

O livre-mercado possui um papel importante nesse processo. Empresas têm incentivo para economizar matéria-prima, reduzir desperdícios e desenvolver alternativas quando determinado recurso se torna caro. Talvez façam isso pelo lucro, e não por algum amor poético às árvores.

Regimes que aboliram preços, propriedade e responsabilidade econômica, por outro lado, demonstraram que boas intenções ideológicas não impedem rios contaminados, terras destruídas e produção desastrosa. Talvez seu professor comunista tenha esquecido de dizer como a China polui mais que o mundo inteiro.

Mais pessoas também significam mais pesquisadores, engenheiros, médicos e empreendedores. A descoberta de uma cura, de uma fonte de energia ou de um método agrícola depende da existência de alguém capaz de produzi-la. Uma sociedade com milhões de indivíduos possui mais possibilidades do que uma tribo de vinte pessoas, por mais ecologicamente encantadora que a tribo pareça num documentário.

A superpopulação costuma ser apresentada como um fato inevitável, quando ainda é uma hipótese cercada de previsões demográficas, mudanças de natalidade e transformações tecnológicas.

Convém desconfiar de qualquer teoria que enxergue cada novo ser humano como um fardo, mas nunca como uma possível solução.

A humanidade consome recursos ao mesmo tempo que cria recursos que antes nem sequer existiam.

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