Como ser fiel em um mundo abundante?

Vamos começar esse ensaio falando sobre o conceito de fidelidade.

Percebo que existe uma expectativa de tornar-se quase incapaz de perceber a beleza de qualquer outra pessoa fora seu parceiro. Nessa visão, se um homem reconhece que outra mulher é muito bonita, algo já estaria errado; se uma mulher percebe que outro homem é fisicamente atraente, isso revelaria alguma insuficiência no relacionamento.

O mundo não deixa de possuir beleza porque alguém se casou ou começou um relacionamento. Homens e mulheres continuam encontrando pessoas belas, inteligentes, carismáticas, disciplinadas, talentosas e interessantes. A questão moral cristã não é se tais bens continuarão existindo diante dos nossos olhos, mas como aprenderemos a nos relacionar com eles.

Nunca consegui conceber a ideia de que preciso fingir para minha parceira que todas as mulheres são feias, mas só ela é agraciada. Meus olhos não mentem.

É nesse ponto que encontrei uma oportunidade de linkar dois assuntos que julgo que conversam bem com essa noção: a distinção contemporânea entre uma mentalidade de abundância e uma mentalidade de escassez.

Uma mentalidade de escassez olha para o bem alheio e pensa:

"Se existe mais beleza nela, existe menos beleza em mim. Se ele admira aquela pessoa, meu valor diminuiu. Se alguém possui algo que meu parceiro poderia desejar, nossa relação está ameaçada."

Uma mentalidade de abundância saudável responde de outra forma:

"Há muita beleza no mundo, porque o bem não é escasso. Mas nem todo bem que percebo é um bem que me pertence ou que devo possuir."

Essa tese é profundamente compatível com uma concepção cristã do mundo. Só porque existe uma beleza ao seu alcance, não significa que essa beleza lhe convém. Muitos bens humanos são bons em si mesmos, mas podem tornar-se matéria de desordem quando desejados de maneira incompatível com bens superiores.

O cristianismo não exige que neguemos o bem. Exige que o amemos na ordem correta.

Para a tradição cristã clássica, a criação é fundamentalmente boa.

Isso significa que beleza corporal, força, inteligência, elegância, talento e excelência não precisam ser tratados como forças intimidadoras ou ameaçadoras.

O problema começa quando um bem é colocado numa posição que não lhe pertence.

Essa é uma das grandes intuições de Santo Agostinho.

O pecado frequentemente não consiste em desejar aquilo que é absolutamente mau. Consiste em amar algo que seja BOM de maneira desordenada. Amá-lo demais, na hora errada, da maneira errada ou acima de bens superiores.

A beleza corporal é um exemplo que estou tentando linkar, com suas devidas correções.

Uma pessoa bela não se torna má porque desperta admiração. O corpo humano não se torna perverso porque é atraente. A atração tampouco precisa ser tratada como uma espécie de contaminação espiritual.

O problema aparece quando a vontade começa a dizer:

“Porque isso é belo, eu preciso possuí-lo.”

Aí entramos no território da desordem.

A maturidade cristã consiste precisamente em descobrir que é possível reconhecer sem tomar conclusões erradas.

A mentalidade da abundância também não deve ser entendida como “tem para todo mundo”. Aqui precisamos distinguir uma mentalidade cristã de abundância de certas versões populares da ideia.

Dizer que o bem é abundante não significa dizer que todas as relações são intercambiáveis.

Seu relacionamento é valioso porque existe uma relação particular entre vocês: história, promessa, intimidade, responsabilidade, confiança, eleição recíproca. Sejamos realistas, não é em cada esquina que se acha isso. Não é um bem ilimitado.

Duas pessoas podem existir no mundo com extraordinária beleza física. Isso não transforma automaticamente nenhuma delas numa alternativa legítima ao compromisso já assumido.

A abundância afirma a multiplicidade dos bens. A fidelidade estabelece a ordem segundo a qual esses bens serão amados.

Imaginemos uma situação simples.

Um casal está caminhando pela rua.

Passa diante deles uma mulher extraordinariamente bonita: magra, fisicamente definida, com baixa porcentagem de gordura corporal, postura elegante e uma aparência que chama imediatamente a atenção.

Pouco depois, passa um homem extremamente musculoso: braços grandes, abdômen definido, corpo evidentemente construído com anos de treinamento.

Ambos percebem.

O que deveria acontecer interiormente?

Uma mentalidade de escassez poderia produzir pensamentos perigosos.

A mulher pensa:

“Ela é muito mais bonita do que eu. Se ele percebeu isso, vai querer me trocar.”

O homem pensa:

“Esse cara tem um corpo muito melhor do que o meu. Com certeza deve ter muito dinheiro e tempo livre para cuidar do corpo. Se minha mulher ver isso, vou ser trocado.”

Então a beleza deixa de ser simplesmente beleza e se transforma numa ameaça existencial.

A presença do outro se converte em acusação.

Mas existe outra possibilidade.

O homem pode olhar para aquele físico impressionante e pensar:

“Esse homem claramente desenvolveu algo que eu ainda não desenvolvi.”

Na dosagem errada, gera inveja. Na dosagem certa, admiração e motivação.

Ele pode reconhecer disciplina, autocontrole, constância, esforço e cuidado corporal.

Talvez pense:

“Gostaria de melhorar meu condicionamento físico. Evidentemente existe aí alguma disciplina que eu poderia imitar.”

É semelhante ao que fazemos com os santos, quando observamos sua capacidade de exercer a santidade.

A inveja não diz apenas:

“Eu gostaria de possuir esse bem.”

Ela tende a dizer:

“Eu me sinto diminuído porque ele possui esse bem.”

Em formas mais graves:

“Preferiria que ele não possuísse aquilo que possui.”

A admiração, por sua vez, consegue reconhecer o bem alheio sem desejar destruí-lo.

Essa diferença é profundamente compatível com uma antropologia cristã.

A excelência de outra pessoa não precisa ser interpretada como humilhação pessoal.

Se vejo alguém mais forte, mais sábio, mais disciplinado ou mais competente, posso transformar a diferença em oportunidade de aprendizado.

O bem existente no outro pode me ensinar algo.

Nesse sentido, uma mentalidade de abundância combate a inveja justamente porque consegue dizer:

“O fato de ele possuir uma excelência não impede que eu também desenvolva excelência.”

O bem pode ser participado.

Agora temos uma questão moralmente mais sensível.

O homem percebe aquela mulher.

Ela é excepcionalmente bonita.

O que acontece?

A primeira coisa que precisamos rejeitar é a ideia de que a mera percepção constitui pecado.

Reconhecer beleza não é equivalente a cobiçar.

Seria psicologicamente artificial e teologicamente confuso exigir que alguém olhasse para uma pessoa extraordinariamente bela e dissesse interiormente:

“Não vejo beleza alguma.”

Não vejo virtude em praticar uma negação do que seus olhos estão obviamente te mostrando.

O homem pode perfeitamente reconhecer:

“Essa mulher é muito bonita.”

E essa constatação pode ser verdadeira.

Mas a tradição cristã acrescentaria imediatamente outra verdade:

“Essa mulher não é apenas aquilo que desperta minha atenção.”

Ela é uma pessoa.

Possui inteligência, história, medos, deveres, vínculos, interioridade e finalidade própria.

Na linguagem cristã, ela é portadora da imago Dei, a imagem de Deus.

Portanto, sua beleza corporal é real, mas não esgota aquilo que ela é.

Essa consideração é essencial porque a luxúria opera através de uma redução.

Ela transforma uma pessoa em função do desejo.

A pessoa deixa de ser percebida como sujeito e começa a ser percebida principalmente como objeto disponível para consumo imaginativo.

Uma mentalidade cristã madura faz o movimento contrário: reconhece a beleza sem destruir a pessoa que a possui.

Aqui vamos chegar a uma distinção moral fundamental.

Há pelo menos três momentos diferentes.

1 - Perceber que alguém é belo

Trata-se primordialmente de um julgamento perceptivo. Isso não exige necessariamente desejo sexual. Podemos perceber beleza em pessoas pelas quais não sentimos atração erótica alguma. Um homem hétero pode reconhecer que o Henry Cavill exala energia masculina e foi abençoado pela genética. Uma mulher heterossexual pode reconhecer que Sydney Sweeney sabe ser sensual, estilo bombshell.

A percepção estética não é idêntica ao desejo, embora o desejo possa acontecer. Seria inocência presumir que não. Mas a ideia aqui é diagnosticar de onde vem o medo de perder o parceiro.

Julgo que exista uma noção de competição injusta porque coloca a realidade cotidiana frente a frente com uma fantasia industrializada. Enquanto uma mulher real lida com o desgaste natural da rotina, do trabalho e do tempo, celebridades são frequentemente apresentadas em condições cuidadosamente produzidas: iluminação, maquiagem, fotografia profissional, seleção de ângulos, edição e, depois, um belo marketing.

Não se trata de uma disputa entre duas mulheres reais, mas sim da covardia de comparar a beleza crua, humana e imperfeita da vida de casados com um produto feito pra arrancar grana de tarados.

2 - Experimentar atração espontânea

Pode acontecer algo adicional.

O corpo e a imaginação respondem.

Há atração.

Essa reação pode ocorrer antes de qualquer decisão deliberada.

É aqui que uma concepção cristã realista da concupiscência é muito útil.

A tradição não pressupõe que todos os movimentos internos estejam imediatamente sob o controle direto da vontade.

A natureza humana possui impulsos, afetos e inclinações que podem surgir espontaneamente.

Sentir uma atração inicial não significa necessariamente que a pessoa decidiu desejá-la moralmente.

Em linguagem clássica, existe uma diferença entre um movimento que surge e o consentimento da vontade a esse movimento.

Resumidamente, seu ser primitivo quer, mas sua consciência racional sabe que aquilo não convém.

3 - Alimentar deliberadamente fantasia e cobiça

Aqui ocorre a mudança moral decisiva.

A pessoa percebe a atração e decide cultivá-la.

Volta a olhar repetidamente.

Constrói fantasias, imaginando “como seria a Sydney Sweeney nua?” ou “como seria a pegada de Henry Cavill?”

Imagina intimidade, possibilidades etc.

Transforma voluntariamente a pessoa numa fonte de prazer interior.

Agora já não estamos falando simplesmente de algo que apareceu na consciência.

Estamos falando daquilo que a vontade decidiu fazer com aquilo que apareceu.

Essa diferença é central para compreender a noção de pecado.

Outro ponto: há conceitos frequentemente colocados no mesmo saco, mas não deveriam estar no mesmo saco.

Admiração é reconhecer algum bem existente no outro. Pode ser estética, intelectual, moral ou física.

Atração é uma inclinação espontânea ou parcialmente espontânea em direção à pessoa.

Tentação ocorre quando algum bem aparente se apresenta como possibilidade de ação contrária à ordem moral ou ao compromisso assumido.

Consentimento é quando a vontade deixa de apenas experimentar aquela possibilidade e começa a aprová-la interiormente.

Cobiça é um desejo desordenado que começa a tratar aquilo que pertence à ordem de outro compromisso como objeto da própria apropriação.

Infidelidade interior surge quando a pessoa começa voluntariamente a cultivar dentro de si aquilo que exteriormente talvez ainda não tenha praticado.

Essa progressão ajuda a compreender a severidade das palavras de Cristo sobre o olhar desejante.

A tradição cristã nunca precisou interpretar isso como se simplesmente notar que alguém é bonito já constituísse adultério.

O ponto está no olhar transformado em desejo possessivo deliberadamente alimentado.

Há diferença entre reconhecer beleza e continuar nutrindo fantasias pecaminosas. Quem sofre é sua alma e seu relacionamento.

São Tomás de Aquino oferece uma estrutura particularmente útil.

Para Tomás, as paixões não são, em si mesmas, inimigas da vida moral.

Medo, desejo, prazer, esperança, tristeza e atração pertencem à dimensão afetiva do ser humano.

O problema não é possuir paixões.

O problema é quando elas deixam de ser governadas segundo a razão e o bem.

A virtude não destrói os afetos.

Ela os ordena.

Por isso, a temperança não significa incapacidade de sentir prazer.

Significa possuir a medida correta diante do prazer.

Da mesma forma, a castidade cristã não exige anestesia estética ou sexual.

Ela significa integração do desejo dentro da razão, do amor e da dignidade do outro.

Essa é uma visão muito diferente tanto do puritanismo quanto da permissividade.

O puritanismo diz:

“Se senti, já pequei.”

A permissividade diz:

“Se senti naturalmente, então tudo o que vier depois também é moralmente aceitável.”

A tradição cristã clássica rejeita ambos.

Ela responde:

“O que surge em você importa. Mas aquilo a que você consente importa ainda mais.”

Mas voltemos ao casal.

Por que a beleza alheia pode provocar tanta insegurança?

Porque frequentemente opera uma lógica de escassez.

A pessoa pensa:

“Se existe alguém mais bonito do que eu, então meu parceiro descobriu uma opção melhor.”

Mas relações humanas não funcionam como uma simples tabela objetiva de atributos.

Não escolhemos parceiros da mesma maneira que comparamos especificações de computadores.

Uma pessoa pode ser fisicamente mais atraente e ainda assim não ocupar absolutamente nada daquilo que o parceiro ocupa.

O parceiro é alguém amado dentro de uma história concreta.

Seu valor não depende de vencer todas as pessoas do mundo em todos os critérios imagináveis.

Essa seria uma competição impossível.

Sempre haverá alguém mais bonito, mais rico, mais inteligente e mais engraçado.

Se a segurança emocional depender de nunca encontrar alguém superior em alguma dimensão, nenhuma relação poderá ser segura.

Uma mentalidade de abundância responde que a existência da excelência alheia não apaga o bem que existe em si mesmo.

E, dentro do relacionamento, se ambos operam numa lógica de abundância, vão concluir que o parceiro reconhecer um bem em outra pessoa não significa que deixou de reconhecer o bem no outro.

Isso não elimina a necessidade de limites, mas torna os limites mais claros.

O cristianismo não pede menos amor.

Pede amor ordenado.

Posso amar a beleza, o corpo, inteligência, força e elegância.

Mas cada bem precisa ocupar seu lugar correto.

Uma pessoa comprometida pode reconhecer a beleza de alguém sem desejar transformar essa pessoa em parceira.

Pode admirar um corpo sem desejar possuí-lo.

Pode admirar inteligência sem querer substituição afetiva.

Essa capacidade é uma forma de liberdade.

O indivíduo escravo do desejo pensa:

“Se algo me atrai, preciso aproximar-me.”

O indivíduo virtuoso consegue dizer:

“Isso me atrai, mas não determina minha vontade, não danifica minhas relações atuais e edifica minha construção atual.”

É aí que entra a temperança.

Temperança não é ausência de desejo.

É governo do desejo.

E é aí que entra a prudência.

Prudência percebe circunstâncias, vulnerabilidades e riscos.

Relacionamentos são estruturas frágeis. Podem ser destruídos se houver descuidado, e todos sabemos disso.

Uma amizade que cultiva uma intimidade emocional crescente, alimentada por comparações silenciosas com o parceiro, busca constante por validação e brincadeiras ambíguas, já começa errada. Quando somamos isso a segredinhos e um desequilíbrio nítido entre o tempo e a energia dedicados ao amigo em detrimento do parceiro, a ruína do relacionamento torna-se apenas uma questão de tempo.

A história humana é um testemunho contínuo dessa inabilidade das pessoas. No fundo, o impulso humano de "querer todo mundo" é uma força do nosso eu-primitivo, que frequentemente sabota os nossos laços mais profundos que nosso eu-racional desenvolveu.

Porém, o risco não nasce simplesmente porque uma pessoa muito bonita atravessou a rua.

Ele nasce quando alguém dentro do relacionamento começa a permitir que um bem externo seja amado contra a ordem do compromisso.

A beleza não invade relacionamentos.

Pessoas abrem portas.

Relacionamentos são acordos e o limite precisa ficar claro e bem definido por ambas as partes.

Mesmo em relacionamentos mais liberais, existe esse risco. Já tive a curiosidade de perguntar para casais não-monogâmicos como fazem, e até nesses relacionamentos existem limites bem definidos.

Mesmo em relacionamentos onde o homem tem permissão da esposa pra se deitar com outras mulheres, pode haver um desejo de querer mais e mais. O pecado raramente é vencido. Melhor fugir dele. Conhecendo a fragilidade humana, vale a pena se limitar e evitar desgastes. Mas não precisamos ficar paranoicos e evitar dar bom dia pra alguém do sexo oposto.

As pessoas traem por razões diferentes, e seria simplista transformar isso numa regra universal. Em alguns casos, existe uma insatisfação real dentro do relacionamento: falta de sexo, afeto, admiração ou proximidade. Em outros, a pessoa encontra alguém que considera mais atraente, interessante ou capaz de oferecer algo que deseja naquele momento.

Mas nem toda traição nasce de uma deficiência do parceiro ou da relação. Às vezes o problema está principalmente em quem trai: necessidade constante de validação, desejo por novidade, impulsividade, ressentimento ou incapacidade de estabelecer limites. Alguém pode estar num relacionamento objetivamente bom e ainda assim escolher ser infiel.

Humanos são imprevisíveis, e o risco de ser traído nunca desaparece por completo. O que podemos fazer é construir condições que mantenham a relação saudável: continuar oferecendo razões para que o outro escolha querer ficar. O outro precisa voluntariamente querer cultivar intimidade, respeito e reciprocidade, sem transformar o amor em acomodação.

Ao mesmo tempo, precisamos vigiar a nós mesmos para não permitir que frustrações, desejos ou mudanças pessoais nos tornem injustos com quem escolhemos amar. Amar é uma decisão racional, renovada na prática, de continuar escolhendo aquela pessoa com lealdade e responsabilidade.

Talvez a fidelidade fosse moralmente pouco significativa se o mundo inteiro deixasse de conter alternativas atraentes no momento em que alguém assumisse um compromisso.

Imagine que, ao casar, todas as outras pessoas magicamente se tornassem sexualmente invisíveis.

Nesse mundo, fidelidade teria pouco valor.

Mas não é assim que vivemos.

O compromisso existe justamente num mundo abundante.

A verdade é que sempre haverá outras pessoas. Ao abrir o Instagram hoje, o algoritmo imediatamente entrega o perfil de uma mulher de biquíni que você, com certeza, jamais cruzará na vida real. As redes sociais tornaram acessíveis padrões estéticos que, na verdade, são raríssimos. O perigo começa quando você internaliza essa superexposição e passa a exigir do seu parceiro esse novo padrão idealizado. É um fenômeno diretamente ligado à adaptação hedônica, como já discutimos aqui no blog em artigos anteriores.

Sua única saída para proteger o relacionamento é recalibrar as suas expectativas e fazer uma limpa estratégica no seu feed, cortando o problema na raiz antes que o algoritmo empurre ainda mais conteúdo semelhante. Agora, sejamos francos: se você deu like e comentou "que gata", você acabou de alimentar um monstro que não deveria.

Mas é justamente por estarmos num mundo globalizado, com acesso a tantas pessoas, que a fidelidade se mostra uma virtude mais digna de louvor.

Com tantas opções e, ainda assim, alguém diz:

“Escolho você.”

A força moral dessa escolha está parcialmente no fato de que ela continua sendo feita diante de alternativas.

Não porque o parceiro derrotou objetivamente todos os seres humanos concorrentes.

Mas porque o amor humano profundo possui uma dimensão eletiva.

Eu não amo você porque não existem outros bens. Eu amo você de uma maneira particular entre muitos bens existentes.

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