Reflexão sobre desigualdade e pobreza
Recentemente encontrei, no Mises.org, um artigo sobre desigualdade econômica que organiza o debate melhor do que boa parte das discussões políticas sobre o tema.
O erro mais comum é tratar desigualdade e pobreza como sinônimos.
Uma sociedade pode ser perfeitamente igualitária e miserável. Se todos possuem pouco, a distância entre as rendas será pequena, mas isso não colocará comida na mesa de ninguém. O Índice de Gini pode ficar satisfeito; a população, talvez nem tanto.
Por isso, antes de condenar a desigualdade, algumas perguntas precisam ser respondidas:
Estamos falando de desigualdade ou de pobreza? Desigualdade de renda, riqueza ou consumo? Existe mobilidade entre as faixas de renda? E, principalmente: qual dano concreto está sendo causado pela desigualdade em si?
Essas distinções incomodam porque impedem o uso da palavra “desigualdade” como argumento completo. Pronunciar o termo com indignação não substitui uma análise econômica, caro amigo comunista.
A perspectiva apresentada pelo Instituto Mises é direta: pobreza se combate com produção, acumulação de capital, divisão do trabalho e liberdade para empreender. Redistribuir riqueza pode alterar posições numa tabela, mas não cria automaticamente novos bens, serviços ou produtividade.
Confiscar capital para distribuir renda parece uma solução especialmente brilhante até alguém perceber que o capital também financia empresas, máquinas, empregos e inovação.
A riqueza de uma pessoa não empobrece necessariamente outra. Quando obtida por meio de trocas voluntárias, pode ser justamente o resultado de ter oferecido algo que milhões quiseram comprar. O consumidor recebe o produto e o empresário recebe o lucro.
Livros como Não, Sr. Comuna também me ajudaram a compreender melhor esse raciocínio.
Recomendo o artigo, sobretudo a quem fala de desigualdade com grande segurança e pouco contato com economia.
Todo esquerdista deveria estudar ao menos o básico sobre dinheiro, produção e incentivos. A indignação moral pode ser gratuita. A conta, infelizmente, não. O pior de tudo é que quem paga mais proporcionalmente é o mais pobre através do imposto no produto, não o bilionário que o esquerdista jura ser contra.
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